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Foto em crachá sorrindo: Hospital tenta quebrar distância criada por Covid-19

Com objetivo de humanizar atendimento aos pacientes com Covid-19, médicos e enfermeiros adotaram novo formato de identificação;

O Hospital Madre Theodora, em Campinas, no interior de São Paulo, adotou uma nova medida para oferecer um tratamento mais humanizado a seus pacientes em meio à pandemia do coronavírus. Todos os seus funcionários de áreas de risco estão usando em seus equipamentos de proteção individual (EPIs) uma foto própria sorrindo, para identificá-los durante os atendimentos.

A ideia desse crachá surgiu pelo fato de os profissionais de saúde terem de trabalhar com uma paramentação que cobre por completo seus rostos, o que impede de reconhecê-los. Por isso, o hospital adaptou uma iniciativa já implementada na UTI, em que colocavam, na cabeceira da cama, uma foto do paciente junto à família com intuito de mostrar à equipe médica um pouco da história da pessoa internada.

“Fizemos essa inversão para humanizar a ação e o paciente entender que quem está por trás da máscara é um ser humano, que também tem sua vida, sua família. Ele está se protegendo, mas, ao mesmo tempo, não deixa de ter os cuidados necessários para aquele paciente”, explicou o diretor do hospital, Emílio Bueno.

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Foto: Hospital Madre Theodora

A iniciativa complementa um procedimento já em voga na unidade. Qualquer funcionário deve se apresentar ao entrar nos quartos. Bueno acredita que dessa forma o contato se torna muito mais humano, sobretudo em momentos difíceis como ser diagnosticado com Covid-19.

“É muito confortável para o paciente saber quem está do outro lado. Primeiro, para ele chamar pelo nome. Com essa socialização da foto, a gente permite que o próprio colaborador seja visto de uma forma diferente. Isso é um alento que não tem preço, a vontade de ter o outro bem cuidado, de entregar a melhor forma do meu trabalho para que aquela pessoa se recupere”, disse o diretor.

Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos desfilam com o novo crachá em seus EPIs desde a última quinta-feira (9). A recente medida se tornou a rotina mais visível em tempos de Covid-19, que inviabiliza outras práticas habituais como musicoterapia e a visita de alguns animais de estimação.

Segundo a gerente de enfermagem, Aline Reche, a escolha das imagens foi bem criteriosa. A orientação aos funcionários foi para que mandassem fotos em momentos de felicidade e sem acessórios que dificultassem a identificação, como óculos escuros.

“Principalmente na terapia intensiva, o paciente é retirado de todo e qualquer convívio. Relatórios e boletins médicos são dados por telefone, e as pessoas ficam excluídas do hall familiar delas. O rosto mais próximo é de quem está prestando assistência. Por isso é importante ter um rosto bem definido. Uma imagem muitas vezes traduz mais do que algumas palavras”, afirma Reche.

Na semana passada, uma paciente esteve internada por suspeita de Covid-19. Enquanto ela estava no hospital, seu marido, com quem era casada há 55 anos, deu entrada em outra instituição e foi diagnosticado com a doença. Em poucos dias, ele morreu.

“Foi um grande desafio dar a notícia para uma pessoa que está hospitalizada, fragilizada, passando talvez pelo pior momento da vida dela, sem poder acolher, abraçar, dar a mão. Como fazer isso no momento em que o distanciamento social vira regra foi o grande dilema”, contou o gerente médico, Átilla Vendite. “A chance de ver o rosto da pessoa que está falando com você, mesmo que por uma foto, ajuda a humanizar um pouco esta relação”.

De acordo com o médico, outros pacientes elogiaram a ação “É difícil você chegar numa pessoa completamente paramentada se você não consegue ver expressão facial, de dúvida, de alívio ou de acolhimento. E pelo menos ter a foto sorrindo traz esse aconchego. Faz toda diferença no atendimento”, afirmou Vendite.

O Hospital Madre Theodora não informou quantos casos de Covid-19 recebeu até o momento. De acordo com o último boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, Campinas registra 126 infectados e cinco óbitos. Há outros 1.047 casos de Covid-19 em investigação.

Veja aqui os casos de Covid-19 curados em tempo real.

Fonte: Época

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